Notícia Setor calçadista tem dificuldades para exportar

As exportações de calçados voltaram a cair em agosto e não há sinal de retomada nos próximos meses, diz o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Heitor Klein. A valorização recente do real em relação ao dólar dificulta as negociações das coleções de verão.

"Houve recuperação em alguns meses, sobre uma base de comparação fraca. Mas essa recuperação não se confirma agora em agosto. Também não há sinal de que em setembro e outubro haverá retomada", afirma Heitor Klein, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados).

Neste momento, indústrias negociam contratos para exportação das coleções de verão, mas enfrentam dificuldades para negociar preços com compradores internacionais. Algumas empresas do setor, que não quiseram ser identificadas, confirmaram que reajustaram preços após a valorização recente do real, mas os importadores querem preços mais baixos.

No acumulado de janeiro a julho, as exportações chegaram a 66,5 milhões de pares embarcados, com alta de 1,5% em volume. Em receita, houve queda de 2,6%, para US$ 530,12 milhões. Apenas em julho, as vendas externas recuaram 9,4% em volume, para 8,6 milhões de pares. Em valor, houve queda de 1,9%, para US$ 78,6 milhões.

De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), a média diária de exportações de couro e calçados nas três primeiras semanas de agosto chegou a US$ 12,7 milhões, com aumento de 1,6% em comparação ao mesmo intervalo de 2015. Esse aumento está relacionado ao aumento de embarques de couro.

José Fernando Bello, presidente do Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB), também diz que a valorização do real em relação ao dólar começa a dificultar as exportações da categoria. "O maior problema não chega a ser o valor do dólar, mas a volatilidade cambial. A variação muito grande dificulta a formação de preço", diz Bello. Ele acrescenta que para o ano espera queda nas exportações em dólares, mas com aumento nos volumes embarcados.

No acumulado de janeiro a julho, as exportações cresceram 9% em volume, para 114,856 milhões de metros quadrados e, em valor, houve queda de 15,6%, para US$ 1,205 bilhão. Em julho, as exportações aumentaram 4,3% em volume, para 14,865 milhões de metros quadrados. Em receita, houve queda de 13,5%, para US$ 159,2 milhões.

O cenário é um pouco mais favorável para as indústrias que exportam componentes sintéticos para calçados. No acumulado de janeiro a julho, as exportações cresceram 5,3%, para US$ 376 milhões, segundo dados da Associação Brasileira de Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos (Assintecal). "Os dados preliminares de agosto também indicam crescimento. Estamos otimistas de que as exportações do setor vão crescer no ano entre 5% e 8%", diz Milton Killing, presidente da Assintecal.

O executivo observa que a maioria dos componentes usados pelas indústrias têm preços cotados em dólar. Por isso, quando o real se valoriza, o custo de produção cai, assim como o preço dos componentes exportados. "Poucas empresas aumentaram preços de exportação. As companhias que fizeram isso são aquelas que usam mais matéria-prima de origem nacional ou mais mão de obra", afirmou Killing. Na avaliação da Assintecal, se o dólar ficar muito abaixo de R$ 3,20, as indústrias de componentes terão que fazer mais reajustes de preços. "Se o câmbio ficar muito abaixo de R$ 3,20, o cenário de exportações para as indústrias vai se complicar", disse Killing.

 

Valor Econômico

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