Livro resgata história do setor calçadista em Minas

Livro resgata história do setor calçadista em Minas

Com o foco na RMBH, obra relata a importância do segmento na moda mineira,
da década de 1960 à de 2000

 

Precursora do que passou a ser denominada economia criativa - e que marca o setor produtivo de Belo Horizonte -, a indústria calçadista da Capital ganhou um

caprichado registro histórico na forma do livro a "Arte em Couro - A força empreendedora e a energia criativa da indústria de calçados e bolsas de Belo Horizonte". Idealizado e editado no âmbito do Programa de Apoio à Competitividade de Arranjos Produtivos Locais (APLs) de Minas Gerais, o livro contou com recursos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), e foi realizado pelo Sindicato da Indústria de Calçados no Estado de Minas Gerais (Sindicalçados-MG) e Sindicato da Indústria de Bolsas e Cintos do Estado de Minas Gerais (Sindibolsas-MG), com o apoio do governo do Estado de Minas Gerais, Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) e Serviço

de Apoio às Micro e Pequenas Empresas - Minas Gerais (Sebrae Minas). De acordo com o presidente do Sindicalçados-MG, Jânio Gomes Lemos, o apoio do BID chegou há três anos, fomentando diferentes ações. "Com o BID, Fiemg e Sebrae desenvolvemos um programa de apoio ao APL da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). Foram feitas várias ações de capacitação empresarial, missões de negócios, viagens para qualificação, entre

outras atividades. Nesse trabalho, vislumbramos a oportunidade de deixar registrada a história da indústria do calçado da região metropolitana. Um resgate para as futuras gerações e, até mesmo, para essa. Temos certeza de que a nossa indústria marcou a história da cidade e o país e não podíamos deixar que essas passagens se perdessem", explica Lemos. A publicação não poderá ser comprada. Os exemplares já começaram a ser distribuídos para os órgãos de imprensa, bibliotecas e secretarias de cultura. Estudantes e pesquisadores poderão, também, recorrer aos próprios sindicatos para consultas. "Queremos que o livro chegue ao maior número de pessoas possível. Uma grande preocupação era que, sem abrir mão do rigor histórico, ele tivesse uma leitura agradável, fosse de fácil compreensão. Avalio que tivemos êxito nesse objetivo. Além de ricamente ilustrado, o ÀArte em Couro" é

também uma boa literatura", analisa o presidente do Sindicalçados-MG. Cronologia - O livro faz um resgate cronológico e começa mesmo antes da instalação das primeiras indústrias na Capital. O sentimento de mineiridade e as raízes históricas da produção de couro em Minas Gerais são os temas dos dois primeiros capítulos. "Na história de Minas, tradição e modernidade são duas linhas que caminham juntas, nunca antagônicas, mas complementares. (...) A riqueza de Minas, em grande parte, extrai-se e se colhe do solo, o mesmo onde pisamos, construímos nossas casas, criamos nossas famílias. Terra, rios, montanhas. O território em Minas é sagrado. Ao mesmo tempo, o mineiro anseia por cruzar as serras fatas de minério, alargar as fronteiras de sua presença, contemplar e adentrar o mar, conquistar o mundo", descreve a introdução. Logo, a saga dos primeiros empreendedores do setor de calçados toma conta das páginas. Dos pioneiros, seguem na década de 1960 a revolução na moda; na de 1970, a explosão dos novos negócios; na de 1980, a consolidação de um novo polo criativo; na de 1990, os novos rumos na economia e na década de 2000, inaugurando um novo século. "A partir de 1940, formou-se em Belo Horizonte um pequeno polo produtor de calçados de couro com as primeiras indústrias do setor, empresas familiares que evoluíram e conquistaram porte. O curtume Santa Helena é o primeiro exemplo de unidade de produção moderna do couro, insumo principal desse mercado", narra a obra.

Na mesma época surgiram a São Manoel, da família Ceschiatti, especializada em sapatos masculinos para exportação; a San Marino, de Mario Grosso, que fabricava modelos masculinos para o mercado interno; a Kátia Calçados, da família Caldeira, que produzia modelos femininos para o comércio local, especialmente para a rede de sapatarias Isnard; entre outros exemplos. "A mineiridade existe em tudo que o mineiro vai fazer. Vivemos isso em vários outros segmentos. Temos exemplos fantásticos, como o Grupo Mineiro de Moda (grupo formado na década de 1980 por marcas como Art Manha, Comédia, Straccio, Eliana Queiroz, Barbara Bela, Patachou, Renato Loureiro e Sônia Pinto. O coletivo foi responsável pelo despontar da moda mineira, chamando a atenção do resto do Brasil para o Estado). O que sempre fez de Minas diferente é o poder de olhar pra dentro. O acabamento sempre foi nosso diferencial, mesmo em tempos de contenção de custos", aponta o gestor. na década de 1960, porém, que o setor começa a se organizar. A efervescência cultural que abalou o mundo naqueles anos demorou, mas também coloriu as ruas de Belo Horizonte. No início da década os sapatos eram encomendados sob medida a sapateiros nas periferias dos bairros da Zona Sul.

"De perfil bem vanguardista, Guido, profissional ítalo-brasileiro estabelecido no bairro Anchieta, foi o primeiro a introduzir em Belo Horizonte o estilo futurista consagrado pelos costureiros franceses Courrèges e Pierre Cardin. (...) Entre as lojas de calçados do centro de Belo Horizonte, a Elmo, na galeria do Edifício Dantés oferecia sapatos femininos, que atraíam mulheres da classe média", revela o livro.

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